sábado, 17 de março de 2007

WILLIAM BLAKE: Visionário e Satanista



Ah, Girassol

Ah, Girassol! giras no tédio do tempo
Do sol contando os passos
Buscas o dourado e doce campo
Luminoso rumo dos peregrinos



Tradução de Alberto Marsicano.



Manhã

Para achar a estrada do oeste
E ir pelos portais da ira
Eu me apresso.
Suave clemência me guia.
Com doce e penitente lamento
Vejo o romper do dia.

A guerra de sabres e espadas
Em lágrimas orvalhadas
Dissolve-se.
O sol, livre do medo,
Em pranto grato e meigo
Sobe no céu.



Tradução de Regina de Barros Carvalho



Uma Árvore de Veneno


Zanguei-me com meu amigo:
A ira cessou, eu a digo.
Com o inimigo zanguei-me:
A ira cresceu, eu calei-me.

E a reguei de alma sombria
Com meu pranto noite e dia;
E a expus ao sol de gentis
Risos e falsos ardis.

E cresceu noite e manhã,
Dando luzente maçã;
Ao ver o brilho que tinha,
E sabendo que era minha,

Veio o inimigo ao pomar
Após a noite tombar.
Bem cedo o vi, com agrado,
Ao pé da árvore estirado.



Tradução de Paulo Vizioli

Um comentário:

Li disse...

Voltou em grande estilo: William Blake.
Em grande brilho: Girassol.
Em pequeno espaço: poucas linhas.

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